Mais um espaço histórico e cultural ameaçado pelo capitalismo

Abaixo-assinado na internet tenta salvar cinema Paissandu
RIO - O anúncio feito pelo Grupo Estação de que o cinema Paissandu está com os dias contados motivou a criação de um abaixo-assinado na internet que, além de protestar contra o fim da tradicional sala de exibição, inaugurada em 1960, pretende encontrar investidores para salvá-la. O grupo que opera o cinema afirma que as portas serão fechadas por falta de patrocínio. Até às 15h desta sexta-feira já foram recolhidas 3.940 assinaturas. A classe artística carioca organizou, ainda, uma manifestação em frente ao cinema nesta sexta, ao meio-dia, para pedir o tombamento do imóvel. O temor do grupo é que o cinema se transforme em estabelecimento comercial ou igreja.
O fim das atividades do cinema de rua do Flamengo está marcado para o próximo domingo. Para a despedida neste fim de semana, foram reunidas na Mostra Clássicos Paissandu 17 obras de cineastas que marcaram a história da sala e da chamada Geração Paissandu, formada por jovens cinéfilos e intelectuais nos anos 1960. A exibição dos longas de ícones como Jean-Luc Godard, Ingmar Bergman, Jean Renoir, John Cassavetes, Costa Gravas, Federico Fellini e François Truffaut acontece de sexta a domingo, com ingressos a R$ 1.
Confira a programação da Mostra Clássicos Paissandu no blog ‘Cineclube’
Em janeiro deste ano, o Paissandu passou por uma reforma de R$ 100 mil, gastos na troca do carpete, instalação de novas poltronas e em melhorias nos banheiros. Mesmo assim, não foi possível encontrar um patrocinador. Segundo o Grupo Estação, que assumiu a direção da sala em 1990, a procura por apoio financeiro começou em 2005. Foram apresentadas duas propostas a diferentes empresas, que não se interessaram. A primeira seria dividir o Paissandu em duas salas para aumentar o faturamento e, assim, diminuir o custo de manutenção a longo prazo. A outra solução deixaria o cinema como está e a verba da reforma seria usada para pequenos reparos e pagamento de contas.
Quando foi inaugurado, em dezembro de 1960, com a comédia italiana “Somos homens ou…”, o cinema oferecia programação bem diferente do tipo de filme que formaria a Geração Paissandu. A mudança ocorreu em 1964, quando a empresa que administrava a sala firmou um contrato com a Cinemateca do MAM, que passou a fornecer obras dos cineastas que encantariam a juventude intelectual carioca. O Paissandu se tornou um símbolo da luta contra a repressão do regime militar no Rio.
Fonte: O Globo Online

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31-08-08 às 2:10 am
Porra realmente é um absurdo. Copacabana também abrigava diversos cinemas, hoje só tem um. Lembro bem que tinha um na Prado Júnior que passava uns filmes não comerciais.
É uma pena mais um espaço com um passado riquíssimo, um v3erdadeiro símbolo cultural e político ameaçado pelos cinemarks e blockbusters da vida. Eu já assinei o abaixo assinado lá mesmo, quem não puder assine aqui onlie mesmo, e vá assistir um filme lá, talvez seja a última vez que ele exiba um filme.
31-08-08 às 1:18 pm
O pior é que abre Igreja !!!! Muitas vezes a cultura salva mais do que religião !!!