A notícia sobre o lançamento da nova Comissão Brasileira sobre Drogas e Democracia, bem como a divulgação da lista de seus integrantes, provocou um burburinho poucas vezes visto aqui no blog. E, curiosamente, um burburinho “convergente” – coisa rara por aqui. Em vez da tradicional polarização da discussão, neste caso pareceu haver uma certa unanimidade. Tanto proibicionaistas quantos liberacionistas acharam que a escolha dos integrantes da comissão poderia ter sido mais democrática.
Desconsideremos, claro, os rompantes preconceituosos e quem pretendeu desqualificar a comissão em razão da presença de celebridades, personalidades públicas ou empresários na lista. Como se um lutador de boxe ou uma atriz de novela não pudessem discutir o assunto com propriedade. Ou como se a presença de um banqueiro tirasse automaticamente a legitimidade do movimento. Mas muita gente que preferiu deixar críticas realmente construtivas avaliou – e eu concordo – que faltou uma maior representatividade social, econômica e “etária” no grupo escolhido.
Faltou, principalmente, representatividade entre os jovens, notadamente os principais usuários de drogas no Brasil e no mundo.
Carece também, nessa lista de pessoas que vão debater propostas de mudanças na lei brasileira sobre drogas, quem já as use abertamente. Suas experiências são fundamentais para o enriquecimento do debate. A lista também poderia contar com quem já defenda, também abertamente, a legalização. Essa discussão não começou hoje no Brasil, e já tem muita gente que há anos dá a cara a tapa – arriscando-se inclusive a prisão – para defender suas idéias.
Faltou ainda, na outra mão desse raciocínio, quem trabalhe na linha de frente da política proibicionista. As experiências de assistentes sociais, funcionários de clínicas de recuperação e, principalmente, policiais, deveriam ser consideradas também, para que a comissão exerça com plenitude o debate democrático a que se propõe. Dos 27 integrantes, o único policial é o coronel reformado Jorge da Silva, ex-chefe do Estado Maior da PM do Rio. É pouco. Onde estão os homens que atuam na linha de frente? os agentes do estado que precisarão ser treinados para um novo approach sobre o usuário, no caso de a comissão conseguir atingir um de seus objetivos, que é aprovar a legalização do porte e do auto-plantio de maconha?