A relação com o vinil

Bom, minha relação com o vinil começou quando eu ainda era criança, minha família sempre escutou muita música, lembro dos discos de 78 rpm que minha avó tinha e qual herdei, mas o que me recordo mesmo são os meus discos de histórias e os clássicos arca de noé, saltimbancos entre outros.

Quando atingi meus 10, 11 anos comecei a ouvir a Rádio Manchete fm e me liguei nos funks da época. Realmente curti o lance e corri atrás dos meus primeiros lp’s comprados por mim mesmo. Ia as lojas de disco pelo menos uma vez por semana para adquirir algumas bolachas, lembro na verdade que eu nem tinha pick up na época, eu pedia pra gravar pra fita k7 la na casa do porteiro, as pessoas diziam porque que você não compra logo em k7, eu respondia, claro que não, o lance é vinil.

O tempo foi passando e aos poucos fui sentido as prateleiras das lojas cada vez mais vazias. Eram os cd’s, estava cada vez mais difícil achar os discos, lembro que ia pra madureira atrás dos vinis até o momento que realmente acabou e todos gravavam apenas em cd.

Cd comprei poucos o primeiro foi um bob legend, aliás o que me fez lembrar que existia música após o funk. Fiquei um tempo sem ter acesso aos discos, quando por ventura fui morar na roça onde estavam todos os discos da minha mãe, meu pai e meus tios, uma riqueza musical sem tamanho. Comecei ouvindo Novos Baianos, Mutantes (melhor banda de rock nacional, na minha opinião), Jorge Mautner, arrigo barnabé, entre outros.

Ao voltar pro Rio decidi trazer grande parte dos discos e providenciei uma pick up para desfrutar. Passaram mais uns anos e meu gosto por disco foi só aumentando, comecei a frequentar sebos com um amigo meu e ir comprando cada vez mais, caçando sempre os mais raros. Lembro de compactos que chegaram quase a trezentos reais, como o primeiro disco gravado do Jorge Mautner, ou compactos do Tim Maia na fase racional.

Lembro que ficávamos rondando todos os sebos e buscando informações sobre lotes de rádios quando os sebos comprariam os lotes para chegarmos antes que todos os velhos “ratos” de sebos chegassem antes. Teve um dia que obtivemos a fonte de que chegaria um lote da radio globo. Chegamos cedo no sebo e ja tinha alguns ratos, eu olhava da direita pra esquerda e o amigo da esquerda pra direita, catando tudo que podia nos interessar, 8 mil discos, poeirada louca, separamos por volta de 120 discos, uns 40 de gosto do amigo e uns qual eu queria.

Na hora que ele me viu separando 80 discos e sabendo que eu estava com apenas o dinheiro da passagem ele disse, porra mano o que tu vai fazer? Lancei o malote debaixo do braço e fui embora a loja não tinha caixa tinha que ir paga numa outra loja, nessa de ir para um lado acabei indo para outro, saí correndo pelas ruas do centro com mais de 80 discos e o amigo meu tb, hauhauahuahuahau, foda. Não me orgulho, mas também não me arrpendo, também não faria de novo. Mas também ja gastei meu salário todo restando apenas 100 reais para o mês inteiro porque tinha negociado um malote imperdível.

Cheguei ao cúmulo de ter duplicatas de quase tudo que eu tenho e algumas triplicatas, pois meu pensamento era, se acontecesse uma catástrofe em uma casa e perdesse os vinis eu teria uma cópia de cada na outra casa e a triplicata eu venderia pra recomeçar a vida, mas minha mãe falou que estava ficando maluco e dei uma trava na situação hehehe.

Mas mesmo assim até hoje eu compro discos e se eu ver um que valha um $$$ no mercado e esteja em um preço acessível não exito em comprá-lo, mesmo tendo duplicatas.

Tenho mil poucos vinis, ainda falta muita coisa pra eu ter ainda o que eu quero. Inclusive o meu, pois gravei um cd ano passado e infelizmene a polysom fechou, me deixando com as mãos abanando, mas mesmo assim fiz a arte do cd igual a um vinil para saudar esta grande mídia, pra mim a mais segura de todas se não arranhá-la. E volta e meia faço programas com meus vinis em uma rádio on line, a Rádio Legalize, www.radiolegalize.com, o programa de funk 90% feito em vinil e outros programas em ediçoes especiais também são feitos em vinil. Tudo como antigamente.

Texto: Raoni Sarraf Teixeira
estudante de jornalismo – músico – colecionador de vinil – apresentador de programa de rádio

por: Portal MTV

Dá seu papo aí.